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Monthly Archives: August 2010
Sobre Primeiro Poema
Primeiras palavras minhas.
(Depois de por mim lidas)
De todas apenas escritas
Palavras da minha vida,
Agora, que ressuscitam que tinham morrido,
Estão já na ponta do ouvido.
.
Amo os meus versos jamais
De amor, que provam ser mais
Que amar, ao reforçar nas estrofes finais
A soma dos meus ideais.
Posted in Devaneio
Animal
Prendam Barnabé aos poucos que há verdadeiros,
Façam-no ter olhos mostrados ser pouco meigos.
Encham-no de natureza naquele pânico geral
E transformem-no num animal.
.
Não o façam ser humano banalmente atirado
Ao muro cuspido do humanamente sentido.
Deixem-no ser um de vós,
Ser assim bruto. Amor e ódio nada, nem termo e meio.
Ser não belo ou feio, sem força de intenção.
Puxem-no pela mão.
Da terra
Ondas empurram-me entre rochas,
Que a minha terra molha as vossas.
.
Traz dela teu povo sustento,
Faz falta ao teu povo pôr tento
Na mão, às vezes.
.
Abrigo d’ilhas dos teus
Que outrora, quando Zeus
Dominava, tirou porções lá dos meus.
.
Vou deixar que entre em nós também
Amor, com todo o muito calor,
Que há pouco tão ou nada bonito
Que o Sol, aquela laranja longe no seu pôr.
.
Que maré te leva a tão bonita terra?
A terra esta, que é mar.
Posted in Devaneio
Sobre sonhar sonhar Sobre
A brisa corre na cara, que outro dorme,
Numa almofada mais uma cabeça qualquer.
Alguém não sabe que fazer daquela mulher.
Alguém quer pedir p’ra si se Deus quiser.
.
Repara na pureza que numa utopia
Fazia a qualquer caminhante, no seu dia-a-dia,
Trazer a alegria daquela mais uma fantasia.
.
Clima nunca muda, continua vida.
Não há mal em nós, ao ver mundo nos sonhos,
Há naqueles mal que ao concretizá-los e acabá-los
Suponho, estragam tudo o que há no imaginar.
.
É que quando não sonhares,
(Precisas de sonhar p’ra no fim me amar.)
E quando não quiseres sonhar,
(Só precisas de sonhar p’ra concretizar.)
Morre o sonho de não morrer.
E tu morres.
Posted in Devaneio, Nostalgias
Monstros debaixo da cama
(Vai-te papão, vai-te embora)
.
Quis saber como sempre foi lá em baixo.
Arriscar-me-ei agora assim,
Sozinho no quarto, sem ter cá a minha mãe?
Não olho agora para debaixo.
Uma chuva de energia verde atravessa o espaço poeirento.
.
(De cima desse telhado,)
.
Desta janela é alto.
Acabei de lá olhar abaixo.
Não olho mais com olhos de ver
Por olhos de ver serem arrancados,
Que a Cuca mos vai querer comer.
.
(Deixa dormir o menino)
.
Vou comer mesmo que não goste,
Que o homem do saco trabalha com as hostes
Da dona Maria Cigana, que ameaçou levar minha mana.
O saco preto mete medo!
.
(Um soninho descansado.)
Posted in Nostalgias
Orgasmo Literário – Eu com Tigo
Eu quero a cada noite soltar gritos,
Desespero, aguardando que o momento chegue e faça
Com a raça de alaridos nos gemidos,
Q’eu em ti contigo em mim, só com sentidos.
.
E beber do ar que há, já carregado,
Não cansado, mas mesmo assim tão quente
Quanto a frescura de amarmos.
Que saímos de um só corpo e nesse ar,
Sim, nesse ar, nós vamos voar.
Posted in Devaneio, Nostalgias
Dia de Neblina e Nós Lá Debaixo Dela, Dormindo Um Estranho Sono
Manhã de Agosto.
Mais uma manhã em Agosto nosso.
.
(Quando um dia falares mais doce.
Sim, pode ser que Julho volte.
Dia bom desde a matina.)
.
E todas as manhãs
Dão uma certeza de um tempo frio.
Anseiam um novo triste dia.
Porém, num pequeno movimento
Transmitido, com a certeza do nosso olhar sereno,
Não o torna frio, torna-o ameno.
.
(Amanhã de manhã veremos se é Julho.)
Posted in Devaneio
O que tu me falas
(Fala-me de fantasias,
Andar à deriva, e fala-me,
Fala-me de toda uma vida dura.
Fala-me de experiências aos vinte.)
.
Falas-me tu de coisas da Terra.
.
Não, a Terra não é perfeita.
A perfeição não é de pedra,
Ou castanha, ou azul, ou amarela.
Mas se lá houver algo perfeito
Então, serás tu quem me disso fala.
Posted in Devaneio, Nostalgias
Olívia
Já fui a criança de quatro anos habitante em mim.
Depois dessa eu cresci já.
Lembro-me eu dos seis anos meus em festejos,
Que assim, com colegas novos de classe
E alguns veteranos naquilo que era a escola dos grandes,
Fizemos festa como não tinha nunca existido antes.
.
Trazido o bolo pela senhora dona,
A da maçã, a quem chamávamos professora,
Cantámos por mais uma volta completa
À Terra, umas quantas Luas seguidas
E por trezentos e sessenta e cinco dias,
P’raos próximos trazerem as coisas que eu queria.
.
Queria eu namorar com Olívia.
.
Conheci Olívia no infantário, pequenas criancinhas.
Ainda não falávamos e achávamos graça ao armário,
Escondidos neste, brincando à novela das noites
E quentes, quase prometendo que assim seria p’ra frente.
.
Olívia um dia, trazida na mão pela mãe
Que foi ter com a minha que lá estava também,
Veio dizer-me que algo tinha corrido mal,
E confessou-me ter mudado o canal.
.
Desde aí, venho dizendo para si:
«Cri que pudesse ser verdade, desde criancinhas,
E que pequenos pudéssemos com as nossas cabecinhas
Ser já absolutos, e não existir mais meninos ou meninas.
Em tanto podias tu ser diferente, Olívia.
Tinhas que ir tu gostar delas.»
Posted in Odes
Eu sou velho trapo na minha cidade velha.
Eu sou velho trapo na minha cidade velha.
Outrora que nela fui eu quem abandonei
Porém, a partir de agora abandonado serei.
.
(Lembro eu bem, naquelas ruas sombrias
Com histórias d’assustar crianças,
Sabiam todos de tudo,
E todos governavam as suas vidas.)