Mademoiselle Loup

Desculpem, não vi que vivi aí (não quis viver aí)

February 4, 2010 · 1 Comment

Quero viver caído em utopias do destino.
Embalem-me só num sonho,
Que a estrutura do tão metódico
Rápido tarda no mundo demorado.
Larguem-me por lá, p’lo encantando.
.
Tão bem vivo eu em fantasias sonhadas,
Voando como em rajadas,
Provido de almas devaneadas,
De tão erradamente erradas
Que foram todas aquelas palavras.

→ 1 CommentCategories: Devaneio · Nostalgias

VII. Depressão

January 21, 2010 · 4 Comments

Hoje sinto-me realmente deprimido.
Sinto-me como se a minha vida
Fosse igual mesmo que não tivesse existido,
E eu, mero espectador,
Só pudesse assistir à atribuição do caminho p’ra onde tudo foi dirigido.

→ 4 CommentsCategories: Devaneio · Nostalgias

Eu preciso é não convencer

January 5, 2010 · 2 Comments

Eu preciso é não convencer
Que não ser não é saber que fazer.
E preciso não esquecer
Que o maior posto é o querer
Não querer crer que o que não pode,
Pode ser.

→ 2 CommentsCategories: A Lei · Devaneio

IX. Adolescência

October 21, 2009 · 3 Comments

E agora?
Não tenho nada
A não ser a maçã que acompanha a mão suja.
A maçã mais saborosa na Terra.
.
Lembrei-me que a senhora Rosa adorava maçãs.
Senhora Rosa adoraria com certeza
A maçã suculenta devorada,
Esta da forma mais lenta
Absorvida, não por mim adorada,
Mas para mim saborosa.

→ 3 CommentsCategories: A Lei

Não foram sorrisos de abraços com laços

October 18, 2009 · 3 Comments

Não foram sorrisos de abraços com laços
De aptidão tanto quanto (tudo) utópica,
Não venceram a luta,
Pois se a força de muitos mil Homens
Não fosse mais forte,
Decerto não haveria glória.
.
Grito,
Não por ordem nossa na ordem.
Não por anarquia vestida de fantasia.
Apenas por olhar-nos encher esta história
Com força da verdadeira,
Com força da tua.
Força da minha.
Força humana.

→ 3 CommentsCategories: Devaneio

Leonor

October 16, 2009 · 1 Comment

Num nada momento de nunca
Q’ia andando, sem nunca pisar quase nada,
Olhei, e a meu tão chegado lado
Ela apenas representava.
Falava ser Leonor, ser encantada.
.
Encantado eu por Leonor,
Logo actuei na mão com flor.
Ao sabor do vento soltei o que sei ser
P’ró nome belo,
Gritei com voz curada por mel
E sem papel, d’alma com prazer:
.
«Cativo, assim vou vivendo
Em braços quentes, p’lo teu cabelo.
E olho, decorando em cada traço
Cada face da tua personalidade.
.
Fala-me que não me contarás hoje
Mas amanhã, pela manhã,
Quando o Sol tiver nascido
E eu acordar com um sorriso.»
.
Mas Leonor, rapariga da cor,
Como eu lhe chamo, que pinta o meu universo,
Comigo não quis compor
A música das palavras de cada verso.
.
Não tem mal, Leonor.
Porque hoje eu vou-me recompor.
Eu já não sofro por amor.

→ 1 CommentCategories: Odes

Que tenhas tu um bom dia

October 10, 2009 · 2 Comments

Vou descendo a rua no dia
Que o Sol, tão alto, ilumina.
E não tão alto estando o ponteiro
Do mosteiro, aponta o pequeno na esquerda,
Aponta o grande no meio.
.
É em passo, então, que me esqueço
Que não esqueço nunca o meu canto,
Só chego a ele não pensando.
Medi o rumo até à esplanada
Donde vejo a minha cidade inacabada
Com aquela p’ra sempre acabada fachada.
Ao lado o velho sentado,
Fala ele ser igual tudo uns anos atrás.
.
Raio da criançada!
É barulho na estrada!
Raio da mãe tão pouco ralada!
E raios partam outra vez a criançada
E o murmurar do autocarro, que passa,
Aquele motor que tanto me mata…
.
Ninguém tão pouco se importa…
Até à esplanada, na minha ida automática
Espalho um “Bom dia” e sorriso na cara.
A criançada vai correndo,
Cumprimentando apenas a namorada.
A mãe fugindo até ao emprego
E só do velho aposentado ouço, coitado dele,
Uma palavra, q’outra companhia não acha.
.
Mas eu percebo.
É só que as cabeças ecoam, em voz de correria:
“Há um prato a encher no final do dia.”

→ 2 CommentsCategories: Devaneio · Nostalgias

II. Ingenuidade

October 3, 2009 · 1 Comment

Sem racionalismo eu sinto,
Eu não penso e sou Caeiro.
(Um pequeno Caeiro)
Em primeiro eu vejo e toco
E em segundo eu ouço e cheiro.
.
Sou toda a pureza das coisas
E toda a pureza das coisas é minha.
Vou ouvindo o mundo a cada dia
(E quem me dera só ter ouvido)
E não entendendo que a cada dia eu nem sei
Só que é mais um dia.
.
Mas que é isso de complicações?
Não existem essas.
Aliás, não existem nenhumas delas.
Existo só eu, Natureza
Das Naturezas, ao cheirar tão mal
Bem, do cheiro do nada tudo.
.
Há uma espécie d’instinto,
Um instinto, que nem é isso,
Que não é esquisito nem é bonito
Nem é instinto.
.
Hoje vou chorar.
Hoje não vou chorar
Porque não vou pensar que vou chorar hoje.
.
Hoje não vou ser nada.
Nem nada vou ser,
Porque nada implica saber,
E saber que tudo existe à minha volta
Não é inato, é…
(Não tem palavra ingénua)
.
Eu nasci ontem ingénuo.
Disseram-me à nascença
O quão bonita é a vida.
Mas não é bonita a vida
Por ser vida só, sem ser bonita
Ou feia, somente vivida.

→ 1 CommentCategories: A Lei

Poema de Carta II

September 13, 2009 · 5 Comments

Num dia que o mundo parava por casa
E eu parava por casa sem mundo.
No fundo eu não escrevia, mas à luz da vela
Eu rascunhava um desenho de letras palerma.
.
(Era o calor que falava,
Que cada linha ditava.)
.
«Teu dedo, ombro, tornozelo,
E o cabelo, ai! Esse teu cabelo…
É cá belo o teu rosto, vem,
Vem! Que me afogo em ansiedade,
Vem amar-me, que amo também
O teu corpo e tua alma, saudade!
.
Preciso amar-te sempre,
Agarrar-te sempre a mim.
Saber só que é presente
E passar sem tempo, assim…»

→ 5 CommentsCategories: Devaneio · Nostalgias · Odes

Poema de Carta I (corrigido)

September 10, 2009 · 5 Comments

(Numa madrugada cerrada)
.
Dei por mim olhando o espelho
E ouvindo o meu sub-consiente.
«Vá! Respira fundo e deixa o espelho,
Escreve-lhe a carta,
Em vão tu não desesperes.
.
Que sabes ser tão vosso,
Quanto ser amor do paraíso,
Ver-vos sentidos com dois sorrisos.»
.
(Numa madrugada cerrada
Uma caneta na mão escreveu)
.
Sei de cor
O sabor da tua pele.
A minha sede insaciável,
Que decora cada olhar inesquecível
Tem a tua descrição
Na ponta da minha língua.
E o meu passo marcado é
A cada passo de paixão
Traçado, que se adivinha.

→ 5 CommentsCategories: Devaneio · Nostalgias · Odes